MP-AP recomenda campanha estadual para ampliar vacinação e reduzir internações no Hospital da Criança

Preocupado com o aumento de casos de doenças respiratórias e a elevada ocupação de leitos no Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), o Ministério Público do Amapá (MP-AP) recomendou que o Governo do Estado intensifique as ações de comunicação para estimular a vacinação dos grupos prioritários. A medida busca ampliar a cobertura vacinal e reduzir os casos de doenças infecciosas virais, especialmente entre crianças.
A recomendação foi expedida pelo promotor de Justiça de Defesa da Saúde, Wueber Penafort, que entregou cópias do documento à secretária de Estado da Comunicação (Secom), Ana Girlene, e à superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), Ana Cláudia Pimentel.
De acordo com o MP-AP, o cenário é motivo de preocupação diante dos dados apresentados pela direção do HCA. Atualmente, a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) chega a 81,28%, enquanto os leitos clínicos registram ocupação de 68,75%, sendo a maioria dos pacientes diagnosticada com síndromes gripais.
O Ministério Público também levou em consideração informações do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/AP), que apontam um quadro considerado crítico em relação à circulação de vírus respiratórios. Diante da situação, foi instaurado um Procedimento Administrativo para acompanhar as ações de imunização destinadas a crianças de seis meses a seis anos, gestantes e idosos.
Na última quinta-feira (16), o promotor Wueber Penafort reuniu-se com representantes da Vigilância em Saúde, das secretarias estadual e municipal de Saúde, além da Secretaria de Educação, para acompanhar a execução do Decreto de Situação de Emergência em Saúde Pública, em vigor em todos os municípios do Amapá devido ao aumento dos casos de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Durante a reunião, foi apresentado que Macapá e Santana possuem as menores coberturas vacinais do estado, com menos de 50% do público-alvo imunizado. O índice está muito abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Segundo o promotor, as estratégias adotadas até o momento não foram suficientes para elevar a cobertura vacinal. Ele defende a adoção de medidas mais eficazes de conscientização, especialmente voltadas aos pais e responsáveis, diante de relatos de resistência à vacinação infantil por motivos ideológicos.
A campanha proposta pelo MP-AP terá foco no incentivo à imunização e na divulgação de informações confiáveis sobre a importância das vacinas para prevenir casos graves de doenças respiratórias e evitar a sobrecarga da rede pública de saúde.
Prazo de 10 dias
Na recomendação, o Ministério Público estabelece que a Secom e a SVS têm o prazo de 10 dias para elaborar e colocar em prática uma campanha estadual de comunicação voltada aos grupos prioritários.
A ação deverá utilizar diferentes meios de comunicação, como emissoras de rádio e televisão, portais de notícias e redes sociais, alcançando todos os municípios do estado. O órgão também orienta que o conteúdo seja produzido em linguagem clara e acessível, com o objetivo de ampliar o alcance das informações e incentivar a adesão da população à vacinação.



