Amapá registra maior índice de atraso escolar da Região Norte, aponta levantamento do UNICEF

Estudo baseado em dados do Censo Escolar do Inep revela que 22,5% dos alunos do ensino fundamental no estado estão com dois ou mais anos de atraso em relação à série adequada para a idade.
O Amapá possui a maior taxa de distorção idade-série da Região Norte. É o que revela um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), elaborado com base nos dados mais recentes do Censo Escolar da Educação Básica, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Segundo o estudo, 22,5% dos estudantes do ensino fundamental no estado estão com dois ou mais anos de atraso em relação à série considerada adequada para a idade. O percentual coloca o Amapá na primeira posição entre os estados da Região Norte.
Na sequência aparecem Pará (20,8%), Acre (19,7%), Roraima (18,1%), Amazonas (14,2%), Rondônia (9,1%) e Tocantins (8,4%).
A distorção idade-série é um dos principais indicadores da qualidade da educação básica. Ela considera em situação de atraso o estudante que acumula dois ou mais anos de defasagem em relação à etapa escolar prevista para sua idade, geralmente em decorrência de reprovações ou interrupções da trajetória escolar.
Pela regra adotada no indicador, a criança deve ingressar no 1º ano do ensino fundamental aos seis anos de idade e concluir o ensino médio aos 17 anos. Quando essa diferença ultrapassa dois anos, o aluno passa a integrar as estatísticas da distorção idade-série.
Brasil apresenta avanço
Embora o cenário do Amapá ainda seja preocupante, o levantamento mostra que o Brasil vem reduzindo o atraso escolar nos últimos anos.
De acordo com o UNICEF, a taxa de distorção idade-série na rede pública caiu de 18,7% para 11,3% no ensino fundamental entre 2019 e 2025. No ensino médio, a redução foi de 28,9% para 17,6% no mesmo período.
A organização atribui esse avanço à adoção de políticas voltadas à permanência dos estudantes na escola, à recomposição das aprendizagens e ao enfrentamento da evasão e da repetência, além da implementação da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, desenvolvida em parceria com estados e municípios.
Apesar da melhora observada em nível nacional, os dados mostram que o desafio permanece mais intenso na Região Norte, especialmente no Amapá, onde mais de um em cada cinco estudantes do ensino fundamental ainda enfrenta atraso significativo em sua trajetória escolar.



