Saúde

Áudio atribui pressão a servidores contratados para participação em convenção de Clécio Luís; grupo de WhatsApp é desfeito após repercussão

Um áudio que passou a circular em grupos de WhatsApp nesta quinta-feira (23) aponta uma suposta mobilização de servidores contratados da Prefeitura de Macapá para garantir presença na convenção partidária do governador Clécio Luís, marcada para esta sexta-feira (24).

Na gravação, uma pessoa afirma ter participado de uma reunião com a secretária, o prefeito e um vereador, e diz que foi orientada a mobilizar os trabalhadores para comparecerem ao evento político, levando ainda uma ou duas pessoas.

Embora afirme não querer “pressionar ninguém”, a voz no áudio associa a participação à manutenção dos contratos dos servidores.

“Vamos lá, vamos segurar o nosso trabalho, nosso emprego, porque é daqui que nós tiramos o nosso pão”, diz um dos trechos da gravação.

A pessoa afirma ainda que a Prefeitura precisaria cumprir uma meta de público para a convenção e que servidores de diferentes setores estariam sendo mobilizados, entre eles profissionais da educação, da Guarda Municipal e da Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo o áudio, camisetas seriam distribuídas aos participantes e um ponto de concentração seria informado antes do evento.

Outro trecho da gravação chama atenção ao diferenciar servidores efetivos dos contratados.

“Eu criei esse grupo exclusivamente pra nós, só dos contratados, porque os efetivos não entram assim, porque eles já são concursados, já estão com o trabalho garantido.”

A mensagem também faz referência à existência de possíveis desligamentos e afirma que haveria tentativa de reverter eventuais exonerações.

“Eu sei que estão chegando cartas de desligamento, mas quando chegar, a gente tenta reverter.”

Grupo foi desfeito

Após a ampla circulação do áudio nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, o grupo de WhatsApp utilizado para reunir os profissionais contratados da Unidade Básica de Saúde Rosa Moita foi desfeito.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, o grupo havia sido criado para reunir exclusivamente servidores contratados da unidade. O encerramento ocorreu após o conteúdo começar a repercutir publicamente e gerar questionamentos sobre a suposta mobilização dos trabalhadores para participação na convenção.

Possível repercussão eleitoral

Caso seja confirmada, a conduta narrada no áudio poderá ser objeto de apuração pelos órgãos de controle e pela Justiça Eleitoral. A legislação eleitoral veda o uso da estrutura da administração pública para beneficiar candidaturas ou partidos, bem como qualquer forma de coação ou constrangimento de servidores em razão de atividade político-partidária.

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