No último ano da gestão Clécio, Amapá é o estado mais violento e tem maior desemprego do Brasil

Estado lidera dois rankings negativos nacionais: taxa de homicídios, segundo o Atlas da Violência, e desocupação, de acordo com dados mais recentes do IBGE
No último ano do governo de Clécio Luís, o Amapá chega à reta final da atual gestão ocupando posições preocupantes em dois dos principais indicadores sociais do país. O estado aparece com a maior taxa de homicídios do Brasil no Atlas da Violência 2026 e, agora, também registra a maior taxa de desemprego entre as 27 unidades da Federação, segundo o IBGE.
Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostram que a taxa de desocupação do Amapá chegou a 13,3% no segundo trimestre de 2026. O percentual é mais que o dobro da média brasileira, que ficou em 5,8% no mesmo período.
O cenário se torna ainda mais significativo quando observada a evolução recente do indicador. No primeiro trimestre deste ano, o desemprego no Amapá estava em 11,1%. Em apenas três meses, portanto, houve crescimento de 2,2 pontos percentuais.
Na comparação anual, a diferença é ainda maior. No segundo trimestre de 2025, a taxa de desemprego amapaense era de 8,4%. Em um ano, avançou 4,9 pontos percentuais, chegando aos atuais 13,3%.
Violência também coloca Amapá no topo do ranking
O mercado de trabalho não é o único indicador que coloca o Amapá em uma posição negativa no cenário nacional.
O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontou o Amapá como o estado com a maior taxa de homicídios do país, considerando os dados consolidados de 2024.
Foram 45,7 homicídios para cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira, de 20,1. O levantamento contabilizou 363 homicídios no estado em 2024.
A distância para os demais estados também chama atenção. Depois do Amapá aparecem Bahia, com 40,9 homicídios por 100 mil habitantes; Pernambuco, com 37,3; Alagoas, com 35,9; e Ceará, com 34,3.
O Atlas revela ainda um problema que não se limita a um único ano. Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios no Amapá cresceu 30,2%, enquanto o número absoluto de vítimas passou de 256 para 363.
Quando considerados os homicídios estimados, metodologia utilizada pelo estudo para incorporar mortes violentas que podem ter sido classificadas incorretamente nos registros oficiais, o Amapá também apresentou o maior crescimento entre todas as unidades da Federação na década analisada: 24,3%.
Desafios para o fim da gestão
Os números colocam segurança pública e geração de emprego e renda entre os principais pontos de pressão sobre o governo Clécio Luís nesta reta final de mandato.
A menos de cinco meses do encerramento da gestão, o contraste entre os indicadores locais e o cenário nacional também deve entrar no debate político sobre o legado dos últimos quatro anos: enquanto o país registra desemprego de 5,8% e taxa de homicídios de 20,1 por 100 mil habitantes nos respectivos levantamentos, o Amapá ocupa o pior resultado nacional nos dois rankings.



